São Paulo esconde charmes, encantos e surpresas por cada rua sua. Ok, sou muito suspeito para falar qualquer coisa – nasci aqui e amo esta cidade. Mas certas situações, convenhamos, não encontraríamos em parte nenhuma do mundo.
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| Nary e Caio no meio da Avenida Paulista; atrás, prédio da Fiesp onde se jogam joguinhos legais. |
Por exemplo, quinta-feira à noite, na avenida mais famosa e movimentada da capital, quem diria que um grupo de, sei lá, 30 pessoas estaria parado olhando para um prédio que virou... tela de videogame! Isso mesmo, o prédio da Fiesp virou um telão gigantesco, daqueles que os aficionados por jogos sempre sonharam (ou melhor, nunca sonharam)! Eis que, de repente, forma-se uma torcida que xinga a cada peça de tetris encaixada de forma errada ou que vibra quando o jogador acerta e ganha pontos. Tudo acontecendo às 20h30. De uma quinta-feira.
Melhor ainda é estar acompanhado – e, no meu caso, muitíssimo bem. Naryana Caetano (minha eterna parceira de apresentação no Agenda Cultural) e Larissa Gregio (nossa eterna fotógrafa do Agenda Cultural) compartilharam comigo todas as experiências que São Paulo proporciona. Da Paulista, pegamos o metrô e fomos até o Terminal Rodoviário do Tietê.
Não, ninguém estava pensando em fazer um tour pelo interior do Estado.
Fomos lá marcar presença na apresentação dos nossos amigos (permita-me a palavra) do Pelas Ruas de
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| Lari e Nary: a rima de duas ótimas companhias! |
SP, que toca gratuitamente para quem estiver passando na rua. A gente demorou um pouco para achar os caras – enquanto isso, nos juntamos a uns senhores que estavam cantando Beatles ao piano dentro do Terminal -, mas, quando os encontramos, tivemos certeza que estávamos no lugar certo! Uma roda formada no ponto de espera dos ônibus com boa música tocando alto para todo mundo ouvir. Até os mendigos se juntaram e aproveitaram a festa!
Aliás, quero abrir parênteses nesse ponto da história. Da mesma forma que São Paulo é “tudo junto e misturado” – algo que me faz ficar apaixonado diariamente pela cidade -, também é um lugar muito impessoal. As pessoas passam umas pelas outras sem se importarem com o que está ao seu redor. Pode ser a falta de tempo, o medo de ser assaltado, sei lá. Não tiro a razão de ninguém. Mas, sabe... é em situações como a apresentação musical embaixo do maior terminal rodoviário do Brasil que paramos para repensar certos valores.
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| Na roda de música, até os moradores de rua foram cantar! |
Disse há pouco que até os mendigos se juntaram à roda. Quero deixar bem claro: nenhum foi pedir esmola, comida ou bebida. A única coisa que eles queriam era mais música – e, quem diria, eles cantavam e dançavam e batiam palmas e convocavam as outras pessoas e... sorriam. Conversando com o pessoal da banda, soubemos que um dos moradores lhes falou que aquele era um dos momentos mais felizes que ele estava vivendo há tempos. Penso que a maior recompensa de uma profissão é a mais simples. Para nós, do Agenda, é saber que as pessoas estão nos ouvindo. Para o Pelas Ruas de SP, é arrancar um sorriso.
Também disse que o grupo toca de graça. Mas um dos mendigos estava dando o pouco dinheiro dele para a banda, como forma de agradecimento. Uma cena que eu jamais vou me esquecer.
E assim, na roda de música que juntou toda sorte de gente para cantar e se divertir, nossa noite terminou e fomos embora para casa. Uma parte minha, da Nary e da Lari ficou lá, e acho que vai ficar, para nunca se esquecer que esta cidade esconde charmes, encantos e surpresas por cada rua sua. Mesmo que seja em uma fria quinta-feira. Mesmo que seja tarde da noite. Nunca duvide de São Paulo.





