terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Resenha - João e Maria - Caçadores de Bruxas


Por Caio Colagrande


E agora, João? E agora, Maria? Tinha tudo
pra emplacar, mas...
Quando cheguei à fila do Espaço Itaú, no shopping Bourbon, próximo à zona central de São Paulo, já estavam esgotados os ingressos para “As aventuras de Pi” e “O lado bom da vida” – sim, em plena terça-feira de Carnaval à noite. Aí, em frente à mocinha do caixa, eu tive que fazer uma escolha rápida: “O voo”, “Caça aos Gângsteres” ou “João e Maria - Caçadores de Bruxas”. Como meu irmão e minha prima tinham escolhido o último, acabei indo na deles.

Um aviso: o trailer do “Os Miseráveis”, que passou na sessão, é melhor que o filme inteiro do “João e Maria”.

Mas vamos aos argumentos. Ok, consideremos que fiquei interessado em ver o que me parecia ser uma leitura mais sombria dos irmãos que, segundo a obra dos Grimm (irmãos, mas não neste filme), foram abandonados na floresta e, para não perderem o caminho de volta, jogavam migalhas de pão na terra, marcando o trajeto. Os passarinhos, porém, comeram as migalhas, e João e Maria acabaram conhecendo a bruxa que morava em uma casa feita de doces. Depois, ela acabaria se revelando má – e posta para queimar no fogo pelos garotos. A mãe deles morreu, mas o pai os reencontra. E viveram todos felizes para sempre!

Os primeiros cinco minutos da história foram mais ou menos isso – sem o “felizes para sempre”, sem as migalhas e com o fato de nunca mais verem os pais de novo. Depois, temos o filme propriamente dito – como os dois ficaram traumatizados com o acontecimento, converteram-se caçadores de bruxas profissionais – e muito famosos. Acompanhamos, então, a maior, mais perigosa e difícil missão deles até o momento: derrotar a poderosa feiticeira Muriel.

A boa atuação de Jeremy Renner como Gavião Arqueiro em “Os Vingadores” não se repetiu aqui, nem a da atriz Gemma Arterton, que interpretou Io em “Fúria de Titãs”. Para começar, eles tentaram fazer o papel de “somos os malas bonzões que acabam com tudo na porrada”, mas com certeza ficaram longe de alcançar o objetivo. E eis aqui um teste que faço quando vou ao cinema: se os atores falarem mais “fuck” (e suas variações) que “get”, provavelmente eu devesse ter entrado em outra sala. Não é surpresa que acontece exatamente isso aqui, né?

Sangue pra lá, sangue pra cá, sangue, cabeças estourando, uma pitadinha a mais de... sangue,  romance, e muita, muita pancada. Além de sangue. Nem o 3D salvou: só valia a pena mesmo quando alguma coisa estourava e os estilhaços vinham pra cima da plateia. Fora isso, apenas aquela noção de profundidade à qual já estamos acostumados.

Resumo da ópera: má atuação dos atores principais (os coadjuvantes foram muito melhores), história fraca e três dimensões que não empolgam.

Se você quiser apenas esfriar a cabeça, assistir a um pouco de lutas e não se incomoda tanto com a qualidade do filme, mas a da briga, pode ir sem remorsos – só me prometa que vai guardar o dinheiro do 3D, porque não vale a pena. Agora, se preferir algo mais bem produzido, leia a resenha deste filme aqui.

Obs.: Esqueça “John and Mary”; “João e Maria”, em inglês, é “Hansel and Gretel”.