![]() |
| E agora, João? E agora, Maria? Tinha tudo pra emplacar, mas... |
Um aviso: o trailer do “Os
Miseráveis”, que passou na sessão, é melhor que o filme inteiro do “João e
Maria”.
Mas vamos aos argumentos. Ok,
consideremos que fiquei interessado em ver o que me parecia ser uma leitura
mais sombria dos irmãos que, segundo a obra dos Grimm (irmãos, mas não neste
filme), foram abandonados na floresta e, para não perderem o caminho de volta,
jogavam migalhas de pão na terra, marcando o trajeto. Os passarinhos, porém,
comeram as migalhas, e João e Maria acabaram conhecendo a bruxa que morava em
uma casa feita de doces. Depois, ela acabaria se revelando má – e posta para
queimar no fogo pelos garotos. A mãe deles morreu, mas o pai os reencontra. E
viveram todos felizes para sempre!
Os primeiros cinco minutos da
história foram mais ou menos isso – sem o “felizes para sempre”, sem as
migalhas e com o fato de nunca mais verem os pais de novo. Depois, temos o
filme propriamente dito – como os dois ficaram traumatizados com o
acontecimento, converteram-se caçadores de bruxas profissionais – e muito
famosos. Acompanhamos, então, a maior, mais perigosa e difícil missão deles até
o momento: derrotar a poderosa feiticeira Muriel.
A boa atuação de Jeremy Renner
como Gavião Arqueiro em “Os Vingadores” não se repetiu aqui, nem a da atriz Gemma
Arterton, que interpretou Io em “Fúria de Titãs”. Para começar, eles tentaram
fazer o papel de “somos os malas bonzões que acabam com tudo na porrada”, mas
com certeza ficaram longe de alcançar o objetivo. E eis aqui um teste que faço
quando vou ao cinema: se os atores falarem mais “fuck” (e suas variações) que
“get”, provavelmente eu devesse ter entrado em outra sala. Não é surpresa que
acontece exatamente isso aqui, né?
Sangue pra lá, sangue pra cá, sangue,
cabeças estourando, uma pitadinha a mais de... sangue, romance, e muita, muita pancada. Além de
sangue. Nem o 3D salvou: só valia a pena mesmo quando alguma coisa estourava e
os estilhaços vinham pra cima da plateia. Fora isso, apenas aquela noção de profundidade
à qual já estamos acostumados.
Resumo da ópera: má atuação dos
atores principais (os coadjuvantes foram muito melhores), história fraca e três
dimensões que não empolgam.
Se você quiser apenas esfriar a
cabeça, assistir a um pouco de lutas e não se incomoda tanto com a qualidade do
filme, mas a da briga, pode ir sem remorsos – só me prometa que vai guardar o
dinheiro do 3D, porque não vale a pena. Agora, se preferir algo mais bem
produzido, leia a resenha deste filme aqui.
Obs.: Esqueça “John and Mary”; “João
e Maria”, em inglês, é “Hansel and Gretel”.
